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O fortalecimento institucional no impulsionamento da filantropia comunitária no Brasil

Por Bianca Limonge Avancin

No Brasil, a partir da década de 40 as ONG’s (Organizações Não Governamentais) eram conhecidas pelos movimentos formados por Igrejas (católica e protestante) que priorizavam a estruturação de ações solidárias e humanitárias em todo território. Com o passar dos anos, essa concepção do que seria uma ONG ganhou diversas perspectivas, passando pelos movimentos de educação popular, combate à ditadura militar e movimentos contraculturais.

A partir da década de 90 as ONGs são submetidas a uma outra lógica: priorizam trabalhos em “parceria” com o Estado e/ou empresas e exaltam o fato de atuarem sem fins lucrativos (COUTINHO, s/d). O recorte destas primeiras décadas de consolidação das ONGS no Brasil nos mostra como se formou uma das principais características que estão sendo supera das nestes últimos anos em relação ao trabalho no terceiro setor–o voluntariado. É muito comum a sociedade brasileira atrelar a realização de trabalhos, que tem como premissa a justiça social, a algo feito de forma totalmente voluntária pelos profissionais, algo que você faz no seu “tempo livre”. Entretanto, para alcançar níveis satisfatórios de mudanças na sociedade é necessário estratégias robustas de trabalho e profissionalismo.Aí entra o diálogo sobre a importância do desenvolvimento institucional de cada organização do terceiro setor.

O desenvolvimento institucional de uma organização, de acordo com Ana Flávia Godoi, contempla a construção de uma identidade–visualização do impacto que se deseja alcançar a longo prazo; estruturação da comunicação–interna e externa com narrativas que projetem novos parceiros e investidores; monitoramento e avaliação–construção de indicadores para ação transformadora; investimento em governança–sucessão, conselho e lideranças que pensam a sustentabilidade da organização e a estruturação de uma área de captação de recursos–com planos estratégicos anuais e investimento na atualização de técnicas de captação. Complementando as ideias da consultora, acrescenta-se, como parte do desenvolvimento institucional, tudo que compõe a gestão organizacional de uma OSC–administrativo, financeiro e jurídico.

Há alguns anos, para o FunBEA – Fundo Brasileiro de Educação Ambiental seria quase impossível pensar em todo esse esquema de desenvolvimento institucional com os financiadores que tínhamos contato,posto que a grande maioria de investidores interessavam-se por projetos com metas bem definidas,e com previsão de início, meio e fim.

Porém, essa antiga estratégia não possibilitava a consolidação de uma organização no longo prazo, prejudicando inclusive o contato com o público beneficiário que se tornava frágil e pontual, o que dentro da perspectiva da filantropia comunitária e da educação ambiental não propiciava mudanças estruturais rumo a sociedades mais justas e sustentáveis.

Segundo Domingos Armani, na publicação “Fortalecimento institucional de organizações é fundamental para endereçar pautas complexas” do GIFE, receber um apoio institucional significa ter recursos para desenvolver projetos e, ao mesmo tempo, cuidar de si, alocando atenção, energia e recursos às dimensões da vida institucional, promovendo o desenvolvimento da instituição. Com isso, a tendência é contribuir para impactos sistêmicos e mais sustentáveis.

Diante disso, é importante dizer que se torna cada vez mais inquestionável a importância de os grandes financiadores abrirem espaço para o investimento em Fortalecimento Institucional, que nada mais é que o apoio externo que uma organização recebe para investir em seu desenvolvimento institucional.

Dentro desta perspectiva, fazer parte da Rede Comuá possibilitou ao FunBEA a integração com outros fundos ampliando seu repertório dentro desta temática. Além do apoio conceitual, estar dentro desta Rede possibilita integrar o Programa de Incidência que traz como premissa o fortalecimento institucional de seus membros, algo inovador e de muita potência.

Agregar essa estratégia, que tem forte argumento no fortalecimento do ecossistema filantrópico brasileiro e de como precisamos mostrar a relevância das ações das organizações da sociedade civil no contexto da manutenção da democracia e a luta contra as desigualdades socioambientais, possibilitou ao FunBEA investir na manutenção e construção de procedimentos burocráticos, segurança jurídica, segurança contábil e auditoria. Tendo em vista que essas demandas são anuais e necessitam de muito recurso para sua execução, muitas vezes são negligenciadas pelas OSCS no planejamento estratégico por falta de apoio, e que uma vez não realizadas, comprometem a credibilidade e prospecção de novos recursos.

Diante das ações realizadas em 2022, o FunBEA reafirma enfaticamente que investir no fortalecimento institucional de uma organização é impulsionar a imagem dela como uma organização estratégica no alcance de uma sociedade mais justa e sustentável. Desta forma, quanto mais as OSC’s forem valorizadas e potencializadas, mais os recursos serão distribuídos de forma igualitária no território, sendo positivo para todos os atores e atrizes do ecossistema filantrópico brasileiro.

Referências: https://gife.org.br/fortalecimento-institucional-de-oscs-e-fundamental-para- enderecar-pautas-complexas/

O apoio ao FunBEA foi viabilizado pelo Programa de Apoio Estratégico, no âmbito do Programa de Incidência da Rede Comuá, cujo objetivo é apoiar o desenvolvimento e fortalecimento das organizações membro, contribuindo para o crescimento e atuação nos campos da filantropia comunitária e de justiça social.


Bianca Limonge Avancin é Gestora de projetosno FunBEA, Engenheira Florestal (ESALQ/USP) e Técnica em Meio Ambiente (ETB-Enfermap). Vinda de um ambiente de trabalho auto-gestionado, como Secretária Executiva e Educadora Ambiental do Curso de Especialização “Educação Ambiental e Transição para Sociedades Sustentáveis” USP(2019-2021).

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